Eu lembro que era um garoto chamativo. Me punindo tanto, por algo que eu achava ser tão mal fazer, como sonhar. Eu costumava rezar no canto do quarto, achando que o tempo é tão curto. Os contos foram ficando chatos, e a vida começou a bater na porta. Aliais, ela me intimou, jogando na cara essa verdade.
Hoje, eu tenho a tarde e a noite pra mim. Eu ando pelas ruas. Eu troco pensamentos. Mudo um desejo de lugar. Eu sorrio, dou risada. Choro, entro em desespero. Eu canto, eu toco, eu componho. E ainda acho tempo para amar. Só me arrependo de não ser a última tarde e a última noite. Sim!. Porque ?
A gente ama diferente quando se sabe que é a última. Beija como se fosse único e como se ela fosse a última. Não mede timidez, e faz o que não gostar como máquina. O céu se torna desenhos mágicos, e nosso olhos se enchem de lágrima. A gente se torna desde bêbado até príncipe no mesmo dia. A gente tropeça na música. Se sente livre como um pássaro, e atrapalha a contra mão.
Prezada estrada, você anda quente, mas tem vezes que vai de mal a pior. Eu comecei a entender as coisas um pouco no tardar. Nada vazio, é realmente vazio. Nada sombrio, é tão vazio quanto quando a dor toma lugar da verdade.
Um copo cheio de nada, de ar. O ar ocupa o lugar do vinho servido. Servido várias, e mais diversas vezes, para ocupar aquela dor. E essa dor ocupa a metade vazia, metade alegria. Cadê aquela magia, agora ? Eu perdia e achava graça.