Persa. É como eu gosto de dizer que ela fala comigo. Me sôua tão familiar, e mal a conheço. Mal ouço os casos que ela conta, mas confio até minhas veias nos lábios daquela mulher. Eu mal consigo resistir a gastar o pouco tempo dela, dizendo qualquer besteira, qualquer coisa de uma vida alheia, só para ela dizer que tudo irá ficar bem, como ontem. Acho que isso me da razão, para essa vida fútil. Eu acordo toda manhã, me sentindo amado, como se tivesse sido enterrado em um banho de rosas, pretas e vermelhas. Irônico não? Mas sei que tenho que esperar o que julgo ser o meu maior vício, o sussuro dela. Meu primeiro dia sem ela. Eu sou orgulhoso dessa vez, guardando a angústia em uma espécie de cotidiano. Dia dois. Já não consigo acrediar que fazem dois dias que estou sem meu vício. No começo o afastamento parece ser doce, mas logo se transforma em um monstro. Dia três. Efeito dominó. Começo a pensar que o amor só arruína a vida das pessoas. Dia quatro. última tentativa disfarçada de chamar a atenção dela. Dia cinco. Tenho tantas coisas em minha mente, e meu corpo parece se fragmentar com qualquer imagem, se tornando cada vez mais frágil com todos perguntando ao redor o que sinto. Dia seis. Esse sofrimento ainda se encobre com bastante música e boas bebidas. Dias sete. Eu tenho ficado literalmente louco, não querendo mais amar, de jeito algum. Dia oito. Eu pareço limpo de vestígios dela. Dia nova. Todos dizem que eu pareço estar melhor. Dia 10. Sinceramente, é impressionante como meu sentimento ainda está vivo.

